LEITURAS FEVEREIRO 2017

 

LIVRO 06

Depois de Auschwitz – Eva Schloss

Um dos temas constantes nas minhas leituras: II Guerra Mundial. Quem me acompanha sabe o fascínio que tenho sobre o assunto.

Sempre estou lendo algo relacionado ao tema. Em fevereiro de 2017 finalmente conheci Auschwitz, essa experiência merece um post exclusivo, já prometi aos seguidores e estou elaborando.

Confesso que após conhecer pessoalmente o campo de concentração Auschwitz parei um pouco de ler sobre o tema, pois logo as recordações do local aparecem e me entristeço.

Mas, vamos falar do livro, né?

Quem narra o livro é a irmã de Anne Frank.  Depois da guerra, Otto voltou para Holanda e começou a se relacionar com a mãe de Eva Schloss – uma relação que nasceu do sentimento de perda e do sofrimento de ambos.

“Em 25 de Julho, ele descobriu que tanto Margot como Anne tinham morrido. Ele encontrou duas irmãs que haviam estado com suas filhas no campo de concentração, e elas confirmaram o pior: Margot e Anne haviam morrido de tifo em Bergen-Belsen. Ele ficou totalmente devastado com a notícia – que naquele momento pareceu a sentença de sua própria morte.”

Diferente de Anne Frank, Eva sobreviveu, e neste livro ela descreve sua vida em meio ao terror que foi o holocausto, seus sofrimentos, suas perdas irreparáveis, sua tristeza diante de tanta injustiça.

O que me emocionou muito na leitura foi o fato de Eva ter nascido em Viena, na Áustria, terra de minha avó paterna. Ela descreve a cidade (que conheci) antes da guerra, e também no período sombrio da II Guerra Mundial. E uma frase dela me lembra claramente o comportamento de minha avó, que até hoje não desperdiça qualquer grão ou migalha de comida, e sempre me transmite essa lição. Quando eu passava minhas férias com ela na praia, no jantar muitas vezes ela colocava o resto do ovo do almoço dentro da sopa da noite, eu e meus primos tínhamos que comer dando graças.

“a verdade é que, depois de Auschwitz, detesto desperdiçar comida e nunca jogo nada fora; depois de comer um grão de açúcar do chão, você nunca trocará o nariz para sobras” (Eva Schloss)

O livro também possui fotografias da família na época da Guerra.

Uma história emocionante, triste e inspiradora.

E para finalizar, algo que sempre faço quando finalizo uma leitura sobre história verídica: procuro entrevistas no Youtube, documentários, etc.. Vou deixar o link de uma entrevista muito interessante com Eva Schloss. Link: Entrevista com Eva SchlossGif livro

“Muitas coisas mudaram desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas infelizmente o preconceito e a discriminação não mudaram”

“Apesar de todo o desespero, haverá sempre esperança. A vida é muito preciosa e bonita – e ninguém deve desperdiçá-la.

“Tudo que vocês fazem neste mundo deixa uma marca. Nada se perde. Tudo o que vocês fazem de bom vai prevalecer na vida das pessoas com quem vocês tiveram contato”

“Nada, jamais, poderá justificar as atrocidades que os nazista cometeram. Seus crimes são absolutamente imperdoáveis sempre”

“Sempre há esperança, e que as circunstâncias da vida sempre mudam – às vezes para melhor, outras para pior. Nada, nunca, permanece igual.”

LIVRO 07

Crônicas Para Ler Na Escola – Carlos Heitor Cony

Comecei a ler a coleção “Crônicas Para Ler na Escola” e não parei mais, descobri cronistas maravilhosos.

Uma boa crônica é como uma gostosa conversa com amigo, como descreve Marisa Lajolo na apresentação do livro:

“As 49 crônicas reunidas neste livro são como iluminações. Cintilações rápidas, elas fazem brilhar por instantes um episódio qualquer, cotidiano e corriqueiro. Um episódio que poderia fazer parte da vida de todo mundo.”

Carlos Heitor Cony é um cronista de mão cheia. E mais uma vez parafraseando Marisa Lajolo:

“Na crônica do cronista nasce a literatura, esta  incrível capacidade da linguagem humana de reunir pessoas a partir de palavras escritas e de abrir janelas para o mundo”
Gif livro

“Um dos males de nossa época é a incomunicablidadade das pessoas…a densidade demográfica, os apartamentos, a violência urbana a rádio e mas tarde a TV ilharam cada indivíduo no casulo doméstico.”

“Tempo é dinheiro mas não se gasta o dinheiro, ele fica com a gente, pode-se aplicá-lo por aí e ele aumenta. Com o tempo é diferente. Gastando-o bem ou mal, ou mesmo não o gastando, ele só diminui, a cada minuto fica menos tempo.”

“escrever era coisa fabulosa. Melhor do que falar, porque quando se escreve é como se a gente falasse diversas vezes, primeiro consigo próprio, depois com os outros.”

“As minhas coisas ausentes/ se fizeram tão presentes/ como se nunca passaram”

“Com a internet, o mesmo jovem que comprava spray e arriscava levar um tom ao tentar sujar a parte mais alta de uma parede, descobriu que com menos esforço e com mais amplitude podia gravar e grafar suas mensagens, dar seus recados. Daí a realidade de hoje: nunca se escreveu tanto.”

LIVRO 08

Geração de Valor – Flávio Augusto da Silva

Folheei o livro em uma livraria e adorei o formato, são frases motivacionais inseridas em  criativas ilustrações.

A diagramação é excelente, de fácil leitura.

Ao ler percebi que ele é motivacional para quem tem o desejo de empreender um negócio. Apesar de meu interesse não ser este, eu gostei e li todo, extrai boas lições.

Fica até difícil extrair frases, pois a maioria possui uma ilustração criativa que a torna mais interessante.
Gif livro

“Se falta de tempo realmente fosse uma justificativa par você não tirar os seus projetos do papel, momento os desocupados teriam sucesso”

“O reconhecimento da sociedade não altera a identidade dos verdadeiros campeões por uma razão simples: eles sabem que a sociedade é hipócrita.”

“mas viver com brilho, fazendo a diferença nessa sociedade de gente especialista em dar desculpas e sentir-se vítima das circunstâncias.”

LIVRO 09

Um Lugar na Janela 2 – Martha Medeiros

“Basta mencionar a palavra viagem para que todos em volta fiquem ouriçados”

Eu! Eu! Eu! EEEEuuuuuuuuU!!

Possuo duas paixões (além da família e amigos, clarooo) : ler e viajar, viajar na leitura, viajar na imaginação e viajar literalmente, conhecer novos locais, novas culturas, experimentar novos sabores, me perder em ruas nunca antes “navegadas”, aspirar o cheiro local, me inebriar com a história de cada canto e recanto do mundo.

“O que nos encanta, na verdade, é o confronto com nosso outro eu, aquela parte de nós que nunca se conformou com a vida em prisão domiciliar”

Sendo assim, toda leitura que trata do tema viagens me interessa, me acrescenta, me transporta para locais que já conheci e aumenta minha lista de lugares que quero conhecer.

Neste delicioso livro, Martha Medeiros descreve suas aventuras nos seguintes locais:

Londres/Tailândia e Camboja/ Cascais / México / Sicília / Miami / Rio de Janeiro / Uruguai / Sul da França / Nova York.

“E dessa droga ninguém deveria prescindir: o vício incurável pelo deslumbre”

Gif livro

“Eu viajo para resistir à hostilidade humana, à crueza dos costumes, ao tique-taque insano dos relógios. Viajo porque sou consciente do quanto viver é difícil e porque não quero ser engolida pela descrença e pela desesperança. Viajo para celebrar a vida no que ela tem de mais sagrado: suas sutilezas, delicadezas, instantes mágicos, sintonias.”

LIVRO 10

Lágrimas de Sal – Pietro Bartolo / Lidia Tilotta

“Este livro pretende ser simplesmente um testemunho. Preto no branco, sem filtros ou adoçantes.”

Comprei o livro em Portugal – ainda não vi em livrarias no Brasil – e foi uma leitura absurdamente chocante e surpreendente, pois fala de um tema bastante atual: os refugiados da guerra da Síria.

“Não podemos impedir que as pessoas fujam. Mas, sim, podemos decidir o nível de bondade e humanidade com que as tratamos.” (Antônio Guterres)

O livro relata o impressionante testemunho do médico Pietro Bartolo, que dedicou sua vida para salvar e acolher milhares de migrantes que desembarcaram na ilha italiana de Lampedusa.

“Corria o ano de 2011. Estávamos em plena Primavera Árabe, mas para nós a Primavera não chegara. Apesar de ser março estava muito frio em Lampedusa. Em poucos dias, desembarcaram mais de sete mil migrantes.”

As histórias são comoventes, de dor e esperança, e as mesmas são entrelaçadas com a história pessoal do médico, que doou sua vida para fazer o bem, além de prestar seu serviço profissional como médico, ele acolhe de coração, escuta, batalha pelo bem dessas pessoas tão sofridas.

“uma das minhas preocupações é não possuir os instrumentos para curar as feridas da alma”

Leio muito sobre Auschwitz, e após ler este livro tive a certeza que atualmente a crueldade humana ainda impera, em “modernos” e “disfarçados” (disfarçados?) campos de concentração.

“As prisões líbias são os novos campos de concentração. As condições em que viajam no deserto e no mar não são muito diferentes das dos deportados nos comboios da morte. E quem hoje quer erigir muitos e rechaçar os refugiados não se comporta de forma muito diferente dos colaboradores de Hitler”

Muitas passagens são chocantes, muitas vezes parei a leitura, suspirei, chorei, e prossegui. É forte, é real, é a realidade atual.

“Com a luz da lanterna, iluminei o piso e deparei com uma imagem atroz e horripilante. O chão estava coberto de corpos. Todos muitos novos. Uma cena de fazer gelar o sangue, horror puro. Nus, uns em cima dos outros, alguns pareciam abraçados. Não podia crer que fosse real. As paredes do porão estavam arranhadas e a escorrer sangue. E os dedos daqueles pobres jovens já não tinham unhas. Parecia-me um dos círculos do inferno de Dante.”

 Toda a história foi gravada no documentário emocionante Fuocoammare (Fogo no Mar), de Gianfranco Rosi, vencedor do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim em 2016.

Assistam ao Trailer –  Fogo No Mar – Trailer – e irão compreender ainda mais tudo que relatei. 
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“uma das minhas preocupações é não possuir os instrumentos para curar as feridas da alma”

“quem desempenha a profissão de médico sem aceitar também os seus riscos mais vale desistir. Não há atalhos, temos de ter grande lucidez para decidir como intervir e, tomada a decisão, não voltar atrás.”

“Não há nada pior do que ser médico entre médicos e sentirmos-nos impotentes enquanto a nossa filha sofre e não recupera.”

 

                            E vamos LER!

Carol Steinmuller

 

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